Do desenho de 1996 à HQ de 2022: o caminho de Radius contado pelo autor
Um desenho de adolescente, uma primeira tentativa artesanal, uma loja de action figures e um registro de marca: o caminho de Radius até virar HQ.

Radius chegou às mãos dos leitores em julho de 2022. Mas, pelo relato de Tiago de Moraes das Chagas, o personagem já tinha uma longa estrada antes disso. Este post reúne o que o autor conta sobre esse caminho, do primeiro desenho ao lançamento.
1996, uma escola em Marília
Tiago conta que Radius surgiu em 1996, em Marília (SP), como um desenho feito por ele ainda adolescente, durante o ensino médio na escola estadual Professor Antônio Reginato. O contato com quadrinhos de super-heróis, especialmente por meio de amigos da escola, despertou a vontade de criar um personagem próprio.
Rafael Mantovani Ribeiro teve papel importante nesse começo. Depois que Tiago concebeu Radius, Rafael chegou a desenhar o personagem, e os dois começaram a produzir as primeiras aventuras de maneira totalmente artesanal. O projeto acabou engavetado por falta de recursos, conhecimento técnico e estrutura.
Preto, amarelo e um símbolo no peito
O Radius de 1996 já carregava no peito uma representação do trifólio radioativo, e o preto e o amarelo viraram elementos fundamentais da identidade visual. Segundo o autor, isso vem de uma memória de infância ligada ao acidente radioativo de Goiânia, em 1987, história que o blog contou em Césio 137: a memória de infância por trás do símbolo de Radius.
Com o tempo, Tiago percebeu que o personagem precisava de identidade própria, sem simplesmente usar o símbolo internacional da radioatividade. Foi o que levou à criação de símbolos próprios e ao desenvolvimento da marca Radius.
As referências do autor
Na sua formação, Tiago reconhece como referências criativas Mauricio de Sousa, Charles M. Schulz, Marvel, DC Comics, Image Comics e Stan Lee. Segundo ele, elas ajudaram a formar sua percepção sobre narrativa, personagens, humanidade, simbolismo, independência criativa e construção de universos.
Mascote da Extoys e marca registrada
Mesmo fora dos quadrinhos, Radius reapareceu em diferentes momentos. Chegou a ser mascote da Extoys, negócio criado por Tiago para vender action figures. Nesse período, o autor aprofundou o contato com cultura de super-heróis, colecionismo, design, publicidade e empreendedorismo.
O nome também ganhou proteção formal. Em 13 de outubro de 2010 foi protocolado o pedido de registro da marca Radius, concedido pelo INPI em 29 de janeiro de 2013.
- 1996
- Primeiro desenho de Radius, em Marília
- 2010
- Pedido de registro da marca Radius, em 13 de outubro
- 2013
- Registro concedido pelo INPI, em 29 de janeiro
- 2020
- Retomada do projeto durante a pandemia
- 2022
- Lançamento de Radius, em julho
2020, a volta
Em 2020, na pandemia, Tiago voltou a arquivos, desenhos e ideias antigas. Radius, adormecido por 24 anos, voltou a ser desenvolvido, agora como projeto profissional de quadrinhos. Para levar a HQ ao público, o autor fundou a Mustache Comics, e o Volume 1 foi lançado em 2 de julho de 2022, em um evento na UNIMAR, em Marília, como registra a linha do tempo do Universo Radius.
Pituco, o cachorro real de Tiago, foi incorporado depois ao universo ficcional.
Marília no mapa dos super-heróis
Marília é parte da identidade do projeto. Para o autor, Radius é o primeiro super-herói criado em Marília e uma forma de colocar uma cidade do interior paulista em um imaginário dominado por grandes metrópoles. Na ficção, isso aparece no cenário: a história se passa em Marília Metropolitana, versão futurista da cidade, no ano 3121.
